Trecho Final de "A Conquista do Pão"
E será ainda pelo trabalho em comum da terra que as sociedades libertarias acharão de novo a sua unidade e apagarão os ódios, e as opressões que as haviam dividido.
Podendo desde já conceber a solidariedade, esse poder imenso que centuplica a energia e as forças criadoras do homem, a sociedade nova marchará à conquista do futuro com todo o vigor da mocidade.
Cessando de produzir para compradores desconhecidos, e procurando no próprio seio precisões e gostos a satisfazer a sociedade assegurará largamente a vida e o bem-estar a cada um dos seus membros, ao mesmo tempo que a satisfação moral que dá o trabalho livremente escolhido e livremente executado e a alegria de poder viver sem esbarrar na vida dos outros. Inspirados numa nova audácia alimentada pelo sentimento de solidariedade, todos marcharão juntos à conquista dos altos gozos do saber e da criação artística.
Uma sociedade assim inspirada, não terá a temer nem dissensões no interior nem inimigos no exterior. Ás coalizões do passado oporá o seu amor pela ordem nova, a iniciativa audaciosa de cada um e de todos, a sua força tornada hercúlea pelo despertar do seu gênio.
Diante desta força irresistível os “reis conjurados” nada poderão. Terão só que inclinar-se diante dela, jungir-se ao carro da humanidade, rodando para os horizontes novos entreabertos pela Revolução social.